"Aee pessoal, aqui estou eu para falar mais coisas estranhas sobre coisas que todo mundo já sabe, cheguei a essa conclusão essa semana. Rolou nas redes sociais em geral, toda uma mobilização ao redor de um vídeo em que aparece uma mulher agredindo um cachorro Yorkshire, quero deixar claro que não é disso que vou falar, mas já deixo explícita a minha desaprovação por cada segundo daquele vídeo, uma atitude mais do que covarde de uma (infelizmente temos que chamar assim em um país em que o papel na parede determina o tratamento que a pessoa merece) profissional da saúde. Mas o que me chamou a atenção não foi nem o vídeo em si, foi a repercussão e a forma que as pessoas reagiram ao fato. Primeiro, muitas pessoas se indignaram e postaram o vídeo para que mais gente visse, logo depois veio a onda de "vingadores" com comentários do tipo "Tem que morrer!", "Se eu pego eu mato!" e coisas do tipo. Primeiramente é óbvio que é apenas uma manifestação acalorada da revolta do momento, nenhum deles (Espero eu) queria mesmo matar a mulher. Depois veio o fato que me abriu os olhos para uma outra coisa, Surgiu uma tirinha (coisas que viraram febre de uma hora para outra) com uns dizeres do tipo, "...Corrupção, violência, miséria, política, fome tudo bem, mas um cachorrinho não!..." insinuando que as pessoas não ligam para coisas sérias (como se um assassinato de um animal indefeso fosse menos sério) e para um acontecimento daquele todos se revoltam. O que reparei é que inegavelmente a tirinha mostra problemas sérios da humanidade atual. A fome assola muitos lugares, a corrupção atrasa o desenvolvimento, a violência hoje é um problema sério em todo o mundo, mas o que achei estranho é repreenderem alguém utilizando essa tirinha, pelo fato de simplesmente essa pessoa ter se indignado com um fato que é natural se revoltar. Milhões de animais são mortos no mundo e ninguém diz nada, quando um caso milagrosamente ganha espaço e se torna publico quem o dissemina é repreendido por ter feito a coisa certa! A pessoa se revolta com algo que é natural se revoltar, mostra ao mundo o problema, e em troca é repreendida insinuando que ela não se preocupa com outras coisas. Hoje em dia até o nosso direito a indignação está censurado, nós não podemos mais nos revoltar com o que quisermos, tem os fatos que você deve se indignar e outros que não pode. Nós perdemos o direito de ficar bravos. Temos que nos revoltar com o que a maioria concorda, senão você é ridicularizado e repreendido.
Tivemos privado o direito de avaliarmos a situação, e a partir dos nossos princípios decidir se aquilo nos revolta ou não. Triste isso...A liberdade sendo usada como arma contra quem exerceu a liberdade. A pessoa está usando o direito dela de se expressar para atacar e julgar uma outra pessoa que usou o mesmo direito de se expressar para dizer que estava indignada.
Complicado.
ResponderExcluirMas não podemos negar, estamos nos tornamos inertes a tudo que acontece. Queremos ajudar, mas não queremos se mexer.
É mais fácil compartilhar mil fotos de causas sociais no facebook, do que mexer a bunda e doar uma cesta de alimentos pra alguma instituição. No fim do ano as pessoas ficam mais condolentes, querem ajudar... Mas esse espírito empático não pode ser só picos de tendências populacionais, mas sim um estado de espírto. Um hábito.
Fera o blog Juninho.
Abraços!
Olá amigo, desde já agradeço muito o tempo gasto em ler meu post, e em digitar seus pensamentos. muito obrigado.
ResponderExcluirrealmente eu citei apenas uma das partes de um todo. Tenho a impressão de que a comodidade do silêncio e o medo do combate é o que está mantendo o povo nessa infeliz condição de espectador da própria desgraça. Realmente observando o plano geral ao invés da ponta do iceberg podemos ver em que condições estamos.
mais uma vez obrigado.
abraço